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Crise, que crise?

Foto - Miguel Azevedo e CastroFoz do Arelho, 19 de Agosto de 2010

Se as visões de António José Seguro e de João César das Neves acerca das causas da crise são opostas, é surpreendente que sejam unânimes quanto à solução: é preciso pagar a dívida.

Assistiu-se ontem na Foz do Arelho a um João César das Neves espirituoso, que, com muita graça explicou a crise do ponto num paralelismo com um filme policial. Considera que a crise internacional é uma oportunidade de nos vermos livres do nosso real problema, uma crise endémica, de factores internos, tendo atribuido especial relevância à menor entrada de transferências de dinheiro dos emigrantes e da União Europeia, por um lado, e, por outro, à saída de divisa para o estrangeiro pela mão dos imigrantes. Coloca o acento tónico na oportunidade que a crise gera para, como País rico – categoria a que ascendemos recentemente – mudarmos de mercado, para um mercado de serviços, do valor acrescentado, de coisas imateriais. Percorreu ainda o género da ficção científica e da comédia para apontar caminhos para sair da crise.
Já para António José Seguro a causa da crise é essencialmente internacional, e é no plano internacional que a mesma tem de ser resolvida. Fez uma análise da queda dos mercados financeiros, da bolha imobiliária nos Estados Unidos, da flutuação dos preços da energia, da especulação sobre bens futuros.

Para parafrasear a exclamação do Sr Luis Quaresma no animadíssimo período de discussão que se seguiu, “ai a minha pobre riqueza!”. Nós, que sempre fomos pobres, vemo-nos agora na condição de espoliados de uma riqueza que nunca tivémos.
Creio que o desabafo é acertadíssimo. Sendo certo que todas as causas apontadas contribuem para o estado das coisas, para a situação, foi com alguma perplexidade que assisti a um debate em que nenhum dos intervenientes tocou naquilo que julgo ser o ponto fulcral: transacciona-se hoje – e, de resto, nas últimas décadas de grande prosperidade ocidental – dinheiro que não existe, dinheiro que nunca existiu, dinheiro que só existirá daqui a vinte ou trinta anos.

Ora, se hoje é necessário pagar dívida contraída com empréstimo de dinheiro que ainda não existe, como podem os Estados, as empresas e as famílias pagá-la? Construímos uma sociedade riquíssima com base em expectativas, mas a experiência demonstra que passado o ciclo tem um limite.
Alan Greenspan disse no início do ano que tinha ouvido dizer que de cem em cem anos o sistema precisava de um abanão. Creio que o sistema precisa, isso sim, de ser reiniciado!

AC

Publicado a 2010-08-19

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