Foz do Arelho Virtual

Um blog informativo sobre a Foz do Arelho, Lagoa de Óbidos e região Oeste

A região ao longo da História

Index.

  1. A origem do nome òbidos (Lagoa de)
  2. As armas da Vila.
  3. O fecho e abertura da "Aberta" da Lagoa
  4. As primeiras obras na Lagoa…
  5. As obras seguintes…
  6. Lagoa de Óbidos

Bibliografia: Trindade, João. Memórias historicas e diferentes apontamentos acerca das antiguidades de Óbidos… Imprensa Nacional Casa da Moeda/Câmara Municipal de Óbidos. 1985


1.A origem do nome òbidos (Lagoa de):

"…Correndo o tempo, e junto ao nascimento de Jesus Cristo, os Romanos se fizeram, à força de armas, senhores da maior parte da Lusitânia, conquista que veio em pessoa o imperador Júlio César, que deu o nome a Santarém de Praesidium Iulium por assistir nela a maior parte do tempo. Este imperador continuou as suas conquistase veio sobre Óbidos e lhe pôs cerco e, como a achasse bem fortificada, se demorou alguns dias; e como visse que a não podia tomar, se retirou para Santarém, deixando a sua gente no cerco e logo enviou mais forças. Porém, como tivesse passado bastante tempo sem que os Roamanos pudessem entrar, e sempre sofrendo grandes perdas, porquanto os Celtas estavam bem fortificados e os seus valentes muros bem guarnecidos de gente, exepto pelo lado de poente por ali chegar o mar, que então chegava até à costa. Os Romanos, vendo que de tal cerco não tiravam resultado, se fizeram idos, levantando o seu arraial; e passados dias, embarcaram em um porto ao norte (hoje a barra de S. Martinho) e de noite entraram pela boca da Foz do Arelho e navegando até junto aos muros da Vila, e como os Celtas estivessem no mesmo descuido, a tomaram por este lado. E logo que foram senhores dela, o seu chefe deu de tudo parte a César e afinal lhe dizia: Ob id os (por causa desta boca) é que tinham podido tomar aquela fortaleza.
E parece não ter questão ser esta a etimologia do nome Óbidos e mais conforme do que Oppidum, que compete a qualquer cidade ou vila.
Seja o que for, o que não sabemos é se os Romanos determinaram este nome ou se estas palavras, que apareciam frequentemente nos documentos desse tempo, deram motivo que os povos que vieram depois dos Romanos, ignorando o que elas queriam dizer, assentaram que era o nome da terra e, por isso, a ficaram chamando Óbidos."

 

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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2.As armas da Vila.

"…no arquivo da Cãmara desta vila (Óbidos) havia um pergaminho que dizia (…)
– Estando em esta sua nobre e sempre leal vila de Óbidos a senhora rainha D. leonor, mulher do senhor rei D. João II, e toda a fsmília real alojada no castelo desta vila e estando também aqui muitos senhores e fidalgos, que os tinham vindo acompanhar, um dia foi o príncipe D. Afonso com diferentes cavaleiros divertir-se à caça aos patos na lagoa desta vila, junto ao lugar do Arelho; mas infelizmente, houve o desastre de este príncipe cair de uma bateira dentro do lago, sem que lhe pudessem acudir. Mas, passados dias, os pescadores do lugar do Arelho tiraram o corpo em uma rede e o apresentaram à senhorarainha sua mãe. Em memória deste acontecimento deu  a rainha D. Leonor a Óbidos por armas uma rede, em memória daquela em que tinham tirado o corpo de seu filho. Logo se mandou pôr no pelourinho da praça a rede, e são as armas de que usa até hoje, e a Câmara tem sinete delas para marcar certos actos. E não consta que esta Câmara tivesse em tempo algum outras armas nem que algum monarca lhas desse propriamente senão esta rainha."

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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3.O fecho e abertura da "Aberta" da Lagoa .

"…Por este rei (D. Manuel) foram também confirmadas as cortes que el-rei D. AfonsoV tinha convocado em Évora pelos anos de 1460, em que determinaram que a Câmara de Óbidos por si possa, sem autoridade de mais alguém, obrigar o povo das vilas de Atouguia, Cadaval e Coutos Velhos para virem todas as vezes que for preciso abrir a lagoa desta Vila, quando se conservar tapada por muito tempo e inundar os campos, causando prejuízo e embaraçando a agricultura, a cuja abertura assistia a Câmara envarada. E por um custume imemorial, logo que se pricipiava a romper a lingua de terra que dividia o mar oceano da lagoa, principiava a tocar o sino da torre do relógio até se romper a dita língua de terra. Não é possível dar a origem disto; no arquivo da Câmara nada constava em forma a este respeito, só se achava um apontamento de 1610 em que falava neste antigo custume de tocar o sino do concelho e do custume de fazer à borda do mar um jantar para os empregados no Senado, cuja despesa era paga pelo almoxarifado desta vila."

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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4.As primeiras obras na Lagoa…

"Além dos arcos e chafarizes, mandou a rainha D. Catarina fazer as pontes dos rios do arrebalde, pois que as do Mocharro já datam do tempo dos Mouros; contudo quando se fizeram aquelas, estas foram reformadas. Entre estes dois rios havia um outro, que deixou de existir em 1650, quando deram nova direcção ao rio Real, asim chamado por atravessar a Várzea da Rainha. O primeiro rio que passa junto à Vila (de Óbidos) se chamava Arnóia, logo adiante havia outro, que chamavam rio do Meio; neste havia, e hoje está enterrada, uma ponte do tempo dos Romanos, onde havia uma pedra com o nome de Júlio César. Depois deste, outro rio, que se chama do Cabo ou das Caldas, em razão de não trazer outra água senão sulfúrea de uma nascente junto à Quinta das Flores (…). A ponte que D. Catarina fez no rio Real, junto ao arrebalde, é necessáriodizer-se que foi feita sobre outra antiquíssima, também do tempo dos Romanos, e que, como a outra, se lhe achou o nome do imperador Júlio César, e que se acharam alicerces, em que mostrava ter sido muito comprida, o que não admira, porque escritores antigos fazem menção deste rio Arnóia e dizem que abundava em sáveis. É claro que a corrente não era maior, porém que dizendo ser caudaloso era só porque recuava água do mar; e com os tempos se tem entulhado, ao ponto em que está, tendo os arcos da nova ponte quase tapados, quando, segundo homens antigos, há setenta anos (início do Sec XVIII) que passavm por baixo eles em pé sobre carro. Este rio, junto junto ao Mocharro, voltava sobre a esquerda pela coutada e vinha passar na falda do monte da Cumieira; D. Catarina o mandou abrir em linha recta até à lagoa, e foi então que tomou o nome de rio Real. Toda a Várzea da Rainha naqueles tempos eram grandes matas e pântanos; a lagoa, então maior, recuava a água até ao monte de Assento. Tudo isto tornava os rios muito mais fundos, como se colige de uma postura que havia na Câmara que dizia: "Por cada sável que for pescado nos rios junto a esta Vila se pagará um cetil ao alcaide-mor desta Vila e castelo"."

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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5.As obras seguintes…

"D. Sebastião, só sabemosque veio uma vez a Óbidos com um grande numero de fidalgos, a fim de se divertirem na Lagoa, e foi o primeiro rei que jantou no sítio do Bom Sucesso. E que, por esta ocasião, fez diferentes pontes nos rios junto à Lagoa e dois cais, um no braço do Bom Sucesso e outro no da Barrosa; ainda ali se encontram restos de estacas e se chama o Cais de El-Rei."

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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6. Lagoa de Óbidos

"Dizem que antigamente chegava o mar até aos muros desta Vila (Óbidos), o que se tem por certo. Alguns escritores apontam a existência de pedras furadas para segurar as barcas e algumas argolas de bronze, porém hoje não se encontram nem as pedras nem as argolas. Porém, em toda a costa do lado da igreja de Nossa Senhora do Carmo se acha uma grande abundância de conchas de ostra e muitos outros despojos marinhos, e por todo este campo do poente se encontram diferentes fósseis, mesmo em cima da terra e muito mais em escavações. Tudo isto confirma, sem contestação, a tradição de que o mar banhava os muros de Óbidos do lado poente. Sabemos por um documento que o rio Arnoia (hoje Real (sec.XIX)) era muito caudaloso e tinha tributo á pesca dos sáveis (hoje Sec.XXI – extintos na Lagoa) de um ceitil para o alcaide-mor do castelo. Por outro documento sabemos que el-rei D. Manuel mandou que a nau ou navio ou qualquer outra embarcação grande que fose feita na lagoa desta Vila (Óbidos) e dela tirada por homem estrangeiro pagaria um tanto.
Este lago, de então para cá, está muito entulhado e, de ano para ano, se lhe conhece a diferença, por causa do amanho das encostas, porque a chuva, encontrando o chão mexido, o arroja até aos rios e destes à Lagoa. Pelos anos de 1790, ainda de inverno esta chegava ao Outeiro da Assenta, e os campos entre os dois montes do Arelho e Sobral se não amanham por estarem sempre debaixo de água, mesmo de verão. Em 1811, os rios tinham tanta água que uma família, que se tinha retirado para o lugar do Vau por causa dos Franceses, quando se quiseram retirar para esta Vila embarcaram no braço do Bom Sucesso e vieram desembarcar no fim da Coutada de Dentro, tendo vindo pela Lagoa e depois por este rio até àquele sítio. Em 1826, na Lagoa, o juncal entre a embocadura dos rios e Santa Rufina estava sempre coberto de água, e hoje (sec. XIX) é preciso que a Lagoa esteja muito cheia. Era então onde se embarcava na ocasião das caçadas.
    É muito célebre esta Lagoa pela abundância que produz de mimoso e variado peixe: são muitas as suas qualidades. É também abundante de caça muito variada, tendo o primeiro lugar os patos, que ali se encontram perto de doze qualidades; produz um número espantoso de galeirões, de que há quase todo o ano, que parte deles criam na chamda Poça do Vau, que até ao ano 1833 era coutada real e tinha guardas. Produz muitas outras aves de diferentes qualidades e, de inverno, se encontram ali em alguns anos aves da América, algumas conhecidas, como a espótula, e outras inteiramente desconhecidas. Deste lago se tiram milhares de carradas de limo, sendo o melhor estrume que se conhece para as terras. É tão abundante a pesca neste lago que pelos anos de 1818 rendeu o dízimo do peixe ali pescado 370$00; é verdade que era de cada cinco um, porém nada pagavam daquele que não vendiam, que só pescavam para seu uso, assim como peixe grande.
    Tem este lago de comprido, desde Santa Rufina até à barra ou boca da foz, mais de uma légua. Tem dois braços, um ao norte, chamado da barrosa, e outro ao sul, chamado do Bom Sucesso; de um destes braços ao outro tem mais de uma légua. Do lado sul tem pagado a Poça do Vau, que é um grande campo, uma légua de circunferência de palhagais e água; tem mais, por este lado a Poça da Cativa e a da Ferraria; todas comunicam com a lagoa por pequenos canais. A primeira se chama do Vau por ser próxima áquele lugar; na segunda, diz a tradição que houve ali uma forja no tempo dos Moiros, e que quando os cristãos se assenhorearam destes sítios encontraram próximo à segunda poça, em uns matos, uma moira que prenderam e que trouxeram para Óbidos, e depois  ficaram chamando a uma das poças a Ferraria, pela abundância de ferro que ali encontraram, e a outra, da Cativa, pela moira que tinham cativado. Os dois sítios mais fundos da Lagoa são a verga ou canal próximo à barra(actual Aberta) e o braço do Bom Sucesso, que tem 5 braças de fundo. Tem no braço da Barrosa uma ilha, chamada dos Ratos, pela grande abundância que ali há daqueles animais. Esta ilha tem rocha e diferentes arbustos, como pequenos carvalheiros e mato. A circunferência dela é de duzentos e vinte passo ordinários.
    No braço do Bom Sucesso, ao poente, está o sítio que chamam de Cabana do Bom Sucesso; memorável não só pela ermida de Nossa Senohra do Bom Sucesso, de muita devoção, onde vão na primeira oitava do Divino Espírito Santo diferentes cìrios, é célebre também pelo ameno e delicioso lugar, que é um bosque povoado de diferentes árvores anosas, de diferentes qualidades, sendo algumas pouco vulgares e raras. Acha-se no meio deste bosque, mas próximo do braço, uma mesa de pedra inteiriça, lavrada simplesmente, que tem três varas de comprido e duas de largo; por os quatro lados há bancos de pedra, bem trabalhados e de iguais comprimentos. Defronte desta mesa há um chafariz com cinco bicas de pedra

(Ortografia Original.sec. XIX) in Ref1

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Publicado a 2008-09-05

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    Um comentário

    1. Estou a fazer um trabalho sobre Óbidos.
      Esta vila é de certeza um dos sitio mais encantadores e belos do nosso país.

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